20 anos de história completados em 2015

A Ditirambus celebra, em 2015, 20 anos de história. As comemorações iniciam-se com a realização do 4º Fest' Fórum já anunciada, e outras coisas iremos anunciar.

São 20 anos de muitos sucessos, muitos espetáculos, muitos palcos e lugares, muitos atores, atrizes, técnicos, alunos... muita gente que passou por aqui e muitos que por aqui continuam.
São 20 anos de trabalho intenso, de luta por objetivos e, sobretudo, pela concretização de um trabalho que julgamos fundamental que é, afinal, fazer Teatro, proporcionar Teatro às pessoas.
São também 20 anos em que sempre estivemos atentos ao que se passa à nossa volta, atentos ao meio social em que estamos colocados, empenhados em colaborar com as instituições, as freguesias e a própria cidade de Lisboa, em que nos inserimos.

Fizemos isto tudo nestes 20 anos. Teimaremos em continuar a fazê-lo.
Celebrar um aniversário de uma entidade como a nossa já não é só festejar um passado e uma carreira longa e ininterrupta; celebrar o aniversário de duas décadas de uma entidade como a nossa é saborear o mérito de ter chegado aqui, o mérito que é de muitas pessoas, o mérito de um projeto levado a cabo com enorme profissionalismo e provas dadas que gostamos de ver reconhecido.


Queremos juntar todos a esta celebração!

FEST´FÓRUM 4 em janeiro!

A 4ª edição do Fest' Fórum - Festival de Teatro Fórum, que a Ditirambus promove desde 2010, vai acontecer no dia 30 de janeiro de 2015, na Escola Secundária Eça de Queirós - Olivais, Lisboa.

Este festival reúne espetáculos de grupos e associações culturais e clubes de teatro de escolas e vem-se assumindo como um espaço de partilha de experiência teatral e de debate de ideias de cariz social e cívico.


As inscrições são gratuitas e podem ser feitas para o email ditirambus@gmail.com. O regulamento estará em breve disponível no nosso site mas pode desde já ser solicitado através deste mesmo email.


ATO ÚNICO - V CONGRESSO DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA DA MADEIRA

Nos dias 10, 11 e 12 de Setembro de 2014, realizou-se na cidade do Funchal, na Região Autónoma da Madeira, o V Congresso de Educação ARTÍSTICA, organizado pela SRE – Secretaria Regional de Educação e DRE – Direção Regional de Educação, com temas de grande pertinência nesta década que vivemos; sessões plenárias com conferencistas de elevado valor; workshops fundamentais para experimentar e compreender as comunicações; Comunicações livres de elevado nível nos conteúdos e nas formas de comunicar.
A conferência de abertura foi com Rui Vieira Nery sobre o tema “Apologia dos saberes inúteis”: o papel das artes no sistema educativo; apresentou-nos cinco EQUÍVOCOS: 1) Funções do cérebro – distinção no funcionamento dos lados direitos e esquerdos do cérebro; 2) Peso económico da cultura – praticamente ignorado pelo nossos governantes; 3) A criatividade, a capacidade criativa, o conhecimento e a colaboração – dando ênfase a Inovação e o Espírito criativo; 4) Ensino – impossível sem a utilização das artes no desenvolvimento do pensamento abstrato; 5) Valor da Educação – perseguir a felicidade. E propõe como REFLEXÃO, sete pontos: 1) A arte como objeto de memorização; 2) Artes: disciplinares e interdisciplinares; 3) Formação artística: para estimular o saber olhar, ouvir, ler e fazer; 4) Continuidade: deve ser contínua e constante a acompanhar o desenvolvimento do aluno; 5) Transversalidade – a diversas disciplinas; 6) Só o melhor é que serve – não ao cabide de emprego; 7) Diversidade: quebrar a postura entre géneros, códigos estéticos diferentes, troca de saberes entre culturas. Numa espécie de conclusão, afirmou que “é essencial que falemos em Educação Artística, não apenas no gueto”, porque “a gente somos útil!”.

Nas sessões plenárias foram apresentadas diversas formas de intervir para aperfeiçoar o ensino artístico. Na área das artes plásticas, devo salientar o projeto “Eco-arte” como elemento de sustentabilidade e empreendedorismo. Na área da música, o projeto “a toque de caixa” do Grupo Bombos com alma, pela energia e versatilidade na comunicação e interação com os alunos.

Na área do teatro, coube-me a mim, propor uma reflexão sobre o tema “Indisciplina escolar”, onde apresentei alguns resultados do trabalho desenvolvido na Escola Secundária Eça de Queirós, nos Olivais, em Lisboa, através da utilização do Teatro do Oprimido, a técnica do Teatro Fórum, como instrumento e/ou ferramenta fundamentais na prevenção e resolução de problemas disciplinares. Propus ainda, uma reflexão com um “Manifesto pela disciplina escolar” – onde um professor relata o seu percurso menos positivo no processo ensino-aprendizagem, por causa de problemas com a indisciplina escolar.

Uma palavra para a comunicação sobre o tema “Autismo”, também fundamental para os educadores do ensino especial.
Muitos outros temas e diferentes manifestações foram acontecendo durante os três dias de congresso, como: apresentação de um Manual de percussão; a banda desenhada como instrumento pedagógico; a música para bebés; fundamentos e práticas holísticas na educação. Devo salientar dois momentos artísticos: Miguel D`Antas no Saxofone e a hilariante apresentação de Mário André e amigos.

Para mim, para nós, ficou claro que o ensino artístico faz muita falta nas escolas portuguesas, desde muito cedo. À ludicidade do jogo e do faz-de-conta devemos fazer sobrepor hábitos de formas de estar que, o teatro pode oferecer aos alunos através de exercícios vocais, improvisações, trabalho de corpo, leituras e interpretação de textos, da comunicação com o outro, do trabalho do ator sobre si próprio e sobre a personagem, são aspetos que o teatro e a educação artística podem proporcionar.
Não devemos descurar também da formação dos nossos docentes, através de uma formação contínua e constante na Educação pela Arte. Através de “Técnicas teatrais aplicadas ao Professor” o docente poderá desenvolver capacidades e estratégias para melhorar o seu desempenho em sala de aula.
A criação pelo Ministério da Educação de um “Grupo de docência de Teatro”, poderá sem sombra de dúvida colocar nas escolas verdadeiros profissionais e dar maior dignidade aos mais de dez mil “técnicos especializados” que são contratados de forma precária por anos e anos consecutivos.
A grande questão que se coloca é: Quando as artes, e principalmente o Teatro deixarão de fazer parte dos “saberes inúteis”? De forma bem humorada, a imitar o meu amigo Rui Vieira Nery, respondo – “A GENTE SOMOS ÚTIL”.

                                                           Onivaldo Dutra de Oliveira
                                                           Ator, Encenador, Professor e Formador.

                                                           Em 25/10/2014.  

OS ANJOS TOSSEM ASSIM

Escuro. O CHEFE DA NAÇÃO está sentado na primeira fila.Ouve-se em fundo música. Proposta: In The Mood For Love. Song Yumeji's theme. Luz abre devagar. Verão. Fim de tarde.  Terraço de um prédio.  Cordas com roupa estendida. Uma piscina insuflável.  Cadeiras desdobráveis de campismo. Um canteiro de rosas. Um guarda-sol. Um tanque de roupa. Uma mala térmica cheia de pedras de gelo e garrafas de água.  Uma televisão com antena. Um cesto de basquetebol suspenso. Acima, a separar o terraço do céu, o braço metálico de uma grua. 

É neste cenário que está criada uma tensão. Uma tensão gerada pelo calor e pelas circunstâncias. As circunstâncias que decorrem de estar um grupo de pessoas barricadas num espaço comum sem contacto com o exterior; as circunstâncias do que se passa nesse exterior. Ainda a tensão que existe numa sociedade onde os peixes grandes comem os peixes pequenos, na senda dos discursos do Padre António Vieira. Quais as consequências deste ambiente, desta situação?

"Os Anjos Tossem Assim" é uma grande produção da Ditirambus em parceria com a Culturgest, um texto de Sandro William Junqueira encenado por Marco Mascarenhas.

Em cena no Auditório Carlos Paredes, de 18 a 20 de abril (sexta e sábado às 21h30 e domingo às 17 horas).


Autoria: Sandro William Junqueira
Encenação: Marco Mascarenhas
Assistência de Encenação: Carlos Alves e Onivaldo Dutra
Elenco: Catarina Monteiro, Carlos Catarino, Daphne Rego, Miguel Leirão, Leo Buchek, Miguel Ferraria, Tânia Prego, Soraia Monteiro, Pedro Santana, Sandra Mota e Luís Mendes.